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Desde: 06/12/2001      Publicadas: 4183      Atualização: 26/09/2007

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  26/09/2007
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FIDELIDADE ÀS RAÍZES E ORIGENS

A dedicação e preocupação de Leonardo Mendonça com o meio ambiente fizeram com que o filho de fazendeiro pagasse as pessoas para que plantassem árvores.

FIDELIDADE ÀS RAÍZES E ORIGENS
*Andre Cabral

Segunda-feira, dia nublado e frio, a temperatura na cidade de São Paulo chega aos onze graus. Rumo em direção a casa do publicitário Leonardo Mendonça, baiano, tem 32 anos. Desde os vinte mora na terra da garoa. Poderia ser mais um que muda-se de sua cidade natal e deixa para trás amigos e, muitas vezes esquece do seu lugar de origem.

No caminho para a sua casa no bairro dos Jardins na grande São Paulo, beiro o parque do Ibirapuera, um dos lugares mais procurados pelas pessoas que gostam de fazer seus programas de rotina aproveitando as maravilhas da natureza, o verde, as flores, as árvores.

Depois de passar pelo parque sigo por ruas arborizadas e casas com jardins com gramas verdes e bem cuidados. Logo na entrada da residência, localizada na rua Veneza, existem três pés de pinheiros. Toco a campanhia, ao abrir da porta sou recebido com a seguinte frase: "você pode não acreditar, mas estamos em São Paulo e a poucos minutos da Avenida Paulista". (um dos lugares mais agitados da megametrópole. Alguns dizem que o coração da cidade pulsa lá). Entro e sou surpreendido por uma casa que possui um enorme terreno onde podemos visualizar canteiros de flores, como rosa e vasos de violetas. Praticamente todo o muro da casa por dentro e por fora é cercado por pés de palmeiras. Mais ao fundo onde também fica um pé de romã (fruta que parece uma maçã, só que tem a casca grossa e o seu recheio é de caroços vermelhinhos quando está madura) existe uma pequena horta com cebolinha, coentro, orégano e um pezinho de pimentão que segundo o dono "vai custar a dar frutos", pois é muito novinho ainda. Já passam das dez horas da manhã e o sol nos presenteia com a sua presença. Faz uma aparição tímida, mas é o suficiente para conversarmos por pelo menos trinta e cinco minutos no jardim.

O Despertar

Depois que proibiu que as árvores das fazendas da família fossem cortadas o jovem teve uma idéia para ajudar a recompor as plantações. Em 1996, reuniu todos os trabalhadores e ofereceu gratificações para plantasse árvores frutíferas e outras espécies que achava importantes. O projeto foi um sucesso. "Tinha o costume de visitar as fazendas toda semana e, a cada dia tinha uma notícia melhor. Quando chegava na sede encontrava as listas das pessoas que plantaram e cada vez surgiam novos candidatos" Conta Mendonça cheio de entusiasmo.

Inquieto e querendo fazer com que outras pessoas acordassem para o problema que estava na frente de cada um e mesmo assim não conseguiam enxergar, o audacioso rapaz foi longe e conseguiu falar com o prefeito da cidadezinha onde ele e seu pai eram muito conhecidos. "Quando eu sugerir que mais árvores fossem plantadas na cidade e que uma campanha fosse criada para alertar as pessoas, o próprio secretário de meio ambiente foi contra, disse que eu estava querendo ocupar o cargo dele. E nada verdade era para se achar isso mesmo. O que facilitou o desenvolvimento do projeto foi à amizade que o meu pai tinha com o prefeito". Desabafa o responsável por cada árvore que tem na frente das casas dos moradores da cidade de Palmeira Grande no sul da Bahia.

Mesmo morando em São Paulo, atualmente Leonardo Mendonça é o coordenador do projeto "Plante a Vida". Criado em 2001 por ele. O programa reúne dezenas de pessoas que a cada três meses escolhem uma cidade do Estado para poder ter o dia de plantação. No mutirão é distribuídas cartilhas que ensinam a preservar, propõe uma rotina para que as pessoas tentem de alguma forma respeitar a natureza.

Quem ver não acredita que um publicitário que mora em outro Estado trabalha em uma área totalmente diferente de qualquer ligação com o meio ambiente se entregue de corpo e alma para uma ação desse tipo. Para relaxar e descarregar a adrenalina que absolve daqui, o baiano busca refúgio na boa convivência eu tem com o meio ambiente. Percebo que a sua responsabilidade social fala mais alto do que a profissional. Sócio de uma agência de publicidade na capital paulistana, é notável que é possível perde-se uma reunião na empresa a falta um compromisso com o projeto "Plante Vida".

A dedicação

O mesmo cuidado que ele tem com o jardim, dedica à família. Talvez até mais. Pai de trigêmeos, Julia, Fernando e Clara, ambos com três de idade, Leonardo é casado há cinco anos com Carolina Mendonça, há dezessete que mora na maior cidade da América Latina, trabalha como publicitário e é dono de fazenda de gados na Bahia. É de lá também vem o seu comprometimento sócio-ambiental.

Tudo começa no Estado da Bahia no ano de 1995. Foi lá que Léo, como é conhecido por todos despertou interesse em preservar, contribuir para que os recursos naturais não sofressem deterioração.

Em sua sala decorada com paredes de cores verde e branca não faltam vasos com plantinhas das mais diversas. "Na verdade eu comecei a me preocupar com o eco-sistema a partir do momento em que começaram a aparecer matérias especiais em noticiários, estudo que falavam do futuro. Esse tipo de notícia fez com que despertasse interesse no tema. E se outras pessoas tivessem se interessado também, acredito que hoje não estaríamos em situação tão caótica como a que estamos vendo que cada vez fica mais próximo de nós".

O publicitário relata que após o despertar, começou a observar como os funcionários da sua fazenda e das de seu pai cortavam árvores, colocavam fogo em áreas cheias de vida verde e que ninguém tinha a noção de que aquela destruição traria problema mais tarde.
Em meio ao relato percebo que o tom de sua voz muda e a sensação passada é de que Léo gostaria de ter feito mais. Além de proibir que (os capangas) cortassem e desmatassem as áreas de vegetação.

"Eu tinha que fazer alguma coisa para tentar reconstruir aquilo que foi dizimado por aqueles trabalhadores que no momento em que desmatam não sabem o mal que estão fazendo para si e para toda uma geração que daqui á alguns anos correm o risco de não terem água para beber". Meu entrevistado ressalta que não é uma pessoa politicamente correta que não vai salvar o mundo do que está aí hoje, mas alerta que se continuar no ritmo em que se encontra só lhe resta ter pena de seus filhos. O pai (coruja) desabafa e dar um beijo na sua filha Julia, de três anos, que está ao seu colo durante todo o tempo.

A infância

No dia 09 de agosto de 1975, nasceu na maternidade do hospital Aliança em Salvador o menino de pele tão branca que parecia algodão. Com olhos castanhos e com um rostinho redondo, Leonardo veio ao mundo por parto normal. Sua mãe, dona Maria Clara, fazia questão que o parto ocorresse de forma normal. Aos oito meses de idade já ficava em pé e tentava os primeiros passos.

Já com os dez anos, sua vida era dividida entre as atividades de rotina na cidade Salvador. Lá, passava a semana estudando na escola Dom Pedro, no turno da manhã. Durante as tardes, dividia o tempo para fazer aula de natação, fazer as tarefas da escola e brincar com os amigos. Em especial, Danilo, Alexandre e Valdomiro. O último, hoje é padrinho do seu filho Pedro.

Nos finais de semana o jovem fazia questão de que os pais fossem para a fazenda. Talvez daí venha à explicação para o seu comprometimento sócio-ambiental. "Quando os meus amigos me convidavam para irmos a cidadezinha de Palmeira Grande, eu preferia ir tomar banho de rio ou andar a cavalo".

Sempre muito ligado à qualidade de vida e ao verde, é curioso que tenha escolhido a cidade de São Paulo para viver e construir família. Mas logo vem a justificativa. "Nunca quis trabalhar com o meio ambiente, queria sim, sempre está ajudando para que fosse preservado. Desde de moleque sonhava em fazer propaganda. Queria mostrar as coisas para as pessoas de uma outra forma, da minha forma. Daí eu já estava decidido que seria publicitário".

Mas se engana quem acha que foi só a carreira que o fez escolher São Paulo para viver. "No carnaval de 1990 eu conheci a Carolina, só que ela morava aqui e eu na Bahia. Nós namoramos a distância durante três meses, quando foi em junho eu decidi fazer vestibular aqui. Passei, namoramos mais um ano e depois fomos morar juntos. Dessa forma, juntei o útil ao agradável".

Como sua futura esposa não podia mudar-se para outro Estado por proibição de seus pais, o jovem apaixonado resolveu investir e correu atrás do seu amor. E hoje tem absoluta certeza de tomou a decisão mais acertada de sua vida.
Era de se esperar, como toda boa história há sempre uma paixão no enredo.

Os desafios

A vida do publicitário não é mole, no trabalho o dia é corrido e muito desgastante, geralmente começa o expediente a partir das dez horas da manhã, depois de entra na agência situada na rua Olimpíadas no Bairro da Vila Olímpia em São Paulo, começa de fato a jornada. Logo quando se senta a sua mesa a secretária (Ruth) se aproxima com os papéis para assinar e recados deixados por clientes e companheiros de trabalho.
Após despachar dona Ruth, o diretor de criação da agência faz um passeio pelas mesas para verificar se os (jobs) que estão andamento está na empresa seguem as suas recomendações. "A rotina é cheia de adrenalina, daqui a pouco começam as reuniões e aí é que o tempo fica realmente apertado".

Na sua mesa ficam algumas fotos da família e uma plantinha. Bonsai. "Adoro a minha vida, cheia de ocupação". Em casa não é diferente, geralmente chega depois das sete ou oito da noite, a família está me esperando. As crianças quase sempre estão assistindo filme, mas quando escutam a buzina do carro saem correndo para abraçar o pai. A Carolina, sua esposa também é uma pessoa bastante ativa. Atualmente tem uma loja de roupa e é arquiteta.

Apesar de toda a correria do dia-a-dia, a família não esquece dedicar-se ao meio ambiente. Leonardo vai sempre a Bahia dedicar um pouco do seu tempo ao seu projeto que tem o intuito de plantar árvores e alerta as pessoas para as suas responsabilidades com a natureza. "Não posso levar a família todas ás vezes que vou, mas eu e a Carolina fazemos questão de levar as crianças para próximo do verde durante as férias".

As crianças já conhecem a fazenda, mas os pais dizem que vão continuar levando os filhos para próximo da natureza até eles compreenderem a importância que devemos dar ao meio ambiente.


Andre Cabral (andrecabrals@hotmail.com), 24 anos, é estudante de Comunicação Social da UniFiamFaam cursando o sétimo semestre de jornalismo. Há três anos e meio trabalha nas agências Duda Mendonça, primeiro na DMMP Duda Mendonça Marketing Político, e agora na Duda Propaganda. Já fez parte da Agência Baiana de Notícias na Bahia.

Pretende dedicar-se ao jornalismo Literário e investigativo. Sonha com uma vida equilibrada onde possa proporcionar dignidade e conforto para a família.

*** Texto produzido para a disciplina de Jornalismo Literário, sob orientação da Profª Drª Monica Martinez




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